Sempre “ocupado”: O vício de estar ocupado e como se livrar dele

“Para noticias, não têm fim de expediente” essa é uma frase que eu ouço e digo com frequência como jornalista. E com um traço de orgulho eu justifico, até para mim mesmo, que os turnos noturnos voluntários, as horas extras, começar mais cedo e sair mais tarde etc me dão a sensação de que aquilo que eu faço é importante. Então, após um dia cheio, eu durmo à noite satisfeito, com a consciência limpa, de que consegui executar bem muitas tarefas.

O interessante é que, se por um lado me sinto tão satisfeito e orgulhoso pelo estilo de vida que eu conquistei, não entendo o estranho sentimento que me faz duvidar de tudo isto. Ele aparece quando eu me encontro com amigos e sinto que, depois de um certo tempo – assim como após uma longa noite de muito trabalho – mal consigo manter os olhos abertos. Assim como quando perco o batismo do filho de um amigo, por ter que trabalhar no final de semana… Ou, ainda, após semanas muitos trabalhadas, eu sinto saudades da minha parceira, embora nós vivamos no mesmo apartamento!

Somente trabalhar muito e duro traz o sucesso! …É mesmo?
“Um pouco estressado”, é a resposta à pergunta de como eu estou; com um sorriso e um encolher de ombros, digo “bem, fazer o quê?” ou “melhor assim do que o inverso”, com a entonação de conquista! Minhas horas extras eu uso às vezes, na verdade, como medalhas no peito, um troféu!
E não estou sozinho nisso. Não no Brasil, e muito menos no mundo. Muitos brasileiros estão trabalhando de 50 a 60 horas por semana. O que sobra ainda além de trabalhar, dormir, fazer compras, trabalhos de casa?

A empresa de pesquisas YouGov verificou, que a remuneração final, para uma em cada duas pessoas, é mais importante do que algumas horas de trabalho a menos. Não me surpreende muito. Afinal, quem quer ser bem sucedido, tem que trabalhar muito. Isso é também pregado pelos grandes chefões. Maryssa Mayer, chefe do Yahoo, confessou para o jornal “Bloomberg”, que ela estava trabalhando 130 horas por semana. Mesmo Donald Trump já ostentava na campanha eleitoral que precisava de pouco sono. Então, quem quer jogar com “os Grandes”, também deve ficar ocupado. Assim parece.

Sempre “ocupado”, não só no trabalho
Nossa tendência de incessante atividade também é evidente nas áreas da vida que não têm nada a ver com o trabalho. Nas férias, temos uma lista de deveres – dos pontos turisticos a serem visitados e só estamos contentes quando temos fotos na máquina de todos eles. Após um longo dia de trabalho, corremos para as academias e treinamos até o limite. Para o “equilíbrio trabalho-vida” (work-life balance) colocamos ainda um curso de power Yoga entre os outros compromissos. Para garantir a consciência limpa e a paz interior.
Mas, embora nós preenchamos nossas vidas diárias com bastantes coisas úteis, e estamos tão orgulhosos da nossa produtividade e efetividades diárias, nos sentimos piores! Nos últimos 15 anos, as licenças médicas, devidas às doenças mentais aumentaram quase 90 por cento!

Em nossa sociedade, o desempenho e a constante ocupação são sinônimos de sucesso. E claro: Quem não está constantemente ocupado parece um estranho!
É por isso que nós caímos tão prontamente nessa armadilha de ocupação!

Então desembarque do “Trem ocupado”!
É o momento de nós sairmos deste trem. Não importa o que a sociedade ache. Porque este “Trem Ocupado” está correndo tão rápido que perdemos o melhor da viagem. Estamos cansados demais para aproveitar o tempo com nossos entes queridos, SE temos tempo para isso. Perdemos de vista o essencial. E com toda essa correria nem fazemos um trabalho melhor!
Quem corre mais, chega ao fim mais rápido! É isto o que você quer?

Aqui estão algumas sugestões de como desembarcar:

 

1. Como um monge Zen: uma coisa de cada vez, mas com total atenção.

“É ótimo, quem pode, pode” eu escuto meu antigo Eu dizendo: “No meu trabalho não posso fazer assim”. Hoje eu sei: Isso funciona, mesmo que seja necessária muita força de vontade para não se deixar levar pelos e-mails com alta prioridade, colegas que querem algo e, tarefas e mais tarefas do chefe. A palavra mágica é ‘prioridade’. Quando o chefe tem algo muito urgente, eu faço isso e somente isso. Para o colega que chega, eu falo com gentileza, para voltar depois. E-mails podem ser respondidos depois. Sempre se lembrando, que podemos fazer muitas coisas simultâneas mas mal feitas ou uma tarefa excepcionalmente bem.

2. Você aguenta por mais tempo se você não ir a extremos!

Se eu conseguir um tempo para a academia, então eu quero tirar o máximo. Então eu treino até o meu extremo…. e a próxima vez, eu preciso muita força de vontade para ir novamente e não se render ao sofá… Assim, também acontece no emprego. Trabalhamos somente na expectativa do final de semana chegar. Isso, se não aparece o esgotamento já no meio da semana…!

Nos esportes, a solução é simples: manter, simplesmente, os exercícios dentro dos limites controláveis, assim nos motivamos facilmente e mais frequentemente. No trabalho, temos que aprender a dizer “não” e aprender a delegar.

 

3. “Lista de tarefas”: somente para o trabalho, no lazer é fatal.

Se não tomarmos cuidado, as tarefas dominam o nosso plano inteiro de vida. Muito melhor seria se concentrar conscientemente apenas em algumas metas ou simplesmente deixar a coisa acontecer. Quem nao executa toda lista de tarefas nas férias, tem tempo livre de descobrir coisas novas. Quem não se espreme para ir àquele Restaurante “top”, talvez vai achar Aquela Pizzaria maravilhosa escondida numa ruazinha. Quem não se pressiona com aquele “casar, construir , criar “ vai descobrir talvez com mais facilidade o que ele quer fazer na vida de verdade (e com quem!).

 

4. Aprenda a valorizar espaços livres

Damos às lacunas muito pouca atenção, àquele tempinho entre os compromissos. Eles são tão importantes pois nos ajudam a nos recompor. A xícara de café na parte da manhã, entre levantar-se e ir trabalhar. Ouvir música no ônibus, sem ler as mensagens. A caminhada durante a pausa do almoço. Geralmente nós ocupamos até mesmo esses espaços, com a próxima tarefa, na cabeça. Poderíamos aprender a apreciar esses pequenos períodos de tempo como aquilo que são: curtos e valiosos intervalos que merecemos com toda a certeza.

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